O anel roda e volta a rodar no teu dedo. Nunca me esqueci desse anel, do desenho dele, da ansiedade que o fazia rodar no teu dedo.
“-O que é que queres fazer?”
E ele volta a rodar para um lado, para o sentido oposto, volta ao sentido inicial… está a levar os meus olhos com ele, depois o meu coração embebido em curiosidade de saber de onde provém, se era de alguém especial…
“-Então, o que é que queres fazer?”
Tenho duas respostas para ti, mas só te dou a que acho “politicamente correcta”. A que não me veio primeiro à cabeça, a que formulei para não te chocar, no caso de ter interpretado mal a pergunta..
“-Então, o que é que queres fazer?”
“- Bem, não quero fazer nada que tu não queiras. Não te quero obrigar a nada” – Delicada o suficiente, hein?
Agora eu tenho o relógio na mão… tenho o poder de, por artes mágicas, fazê-lo andar para trás até essa data.. ainda te lembras qual? O mês, pelo menos? Não? Eu sei.. vem perguntar-me olhos nos olhos como eu gosto.
Os ponteiros já estão a rodar para o lado esquerdo.. flashbacks constantes… o tempo está a andar para trás aceleradamente… vejo-me a voltar para a esplanada daquela escola… a ansiedade volta.. e a pergunta ecoa uma vez mais:
“-Então, o que é que queres fazer?”
Esta é a oportunidade que tenho para te dizer a primeira resposta que tive para ti, a qual não me saiu da cabeça, moldada por medos e imperfeições..
“- Quero ficar contigo. Quero esse anel…”.
De certeza que as lágrimas iriam tentar saltar com os nervos da contra-resposta, mas eu iria segurá-las. Por momentos quase te posso olhar de perfil. Viras a cara em minha direcção.. Mesmo com cara séria, os olhos de menino pequeno não perdem a sua graça. Tenho vontade de te segurar a cara com as minhas mãos, beijar a tua face, a tua testa, o teu nariz, fazer-te rir… Ficar a poucos milímetros de ti… Abraçar-te…
Quero lá saber da contra-resposta… desde que não vás embora nem me peças aquele longo e doloroso fim de semana para pensar.
Eu sei que queres sair deste país à beira-mar plantado. Nunca te quis prender em nenhuma jaula para que não pudesses fazer a tua vida. Se queres ir vai… voa… voa bem alto.. os braços estarão sempre abertos para te receber de volta… voa… sê feliz… guia a tua vida.. voa.. voa..
Eu só quero ficar contigo… nos bons e nos maus momentos.. apertar a minha mão contra a tua.. tocar o outro lado do espelho… sentir o teu perfume… roçar o meu nariz no teu.. olhar
bem de perto esses olhos de menino pequeno.. morder esse buraquinho no queixo.. sentar-me ao teu colo…
Vem.. vamos ver “Marley & Eu” outra vez… abraça-me outra vez.
Olha-me nos olhos, mesmo que seja numa foto ou somente no teu pensamento. Olha bem fundo nos meus olhos. Olha com força. Eu ainda aqui estou…
Perdi o relógio e volto à realidade… A conversa está quase no fim e o anel continua a rodar no teu dedo.. para a frente, para trás, para frente, para trás… infinitamente no teu dedo e a rodar abraçado ao meu coração…
Num gesto inesperado.. largas parte do anel e puxas a restante p cima… o anel divide-se em duas partes que se complementam.. cruzes e formas de cruzes… O meu queixo ainda não bateu no chão por coisas… Mas como a resposta “politicamente correcta” parece não te ter agradado, voltas a encaixar as duas partes numa só.
E agora… lá vem outra vez aquele fim de semana…
E eu quero lá saber do fim de semana.. desde que voltes…
Volta…
Abre os olhos…
Volta….
Beijo
Chantilly*